Pandeiro
PANDEIRO: Origem, Primeiros Registros e Seus Parentes ao Redor do Mundo
O Pandeiro é um dos instrumentos mais antigos e queridos da humanidade. Presente em quase todas as culturas, ele atravessou milênios, cruzou mares e ganhou a alma brasileira, tornando-se ícone da nossa música. Este levantamento foi organizado para servir como referência a percussionistas, estudantes e amantes da cultura popular.
🗿 Çatalhöyük, PRIMEIROS REGISTROS
As primeiras representações conhecidas de instrumentos semelhantes ao pandeiro foram encontradas em Çatalhöyük, na atual Turquia, datadas de aproximadamente 5.800 anos antes de Cristo. Afrescos antigos mostram figuras em celebrações tocando tambores de marco redondo.
Posteriormente, aparecem registros na Suméria, Egito, Grécia e Roma. Os hebreus o chamavam de Toph , os árabes de Daf ou Riq , e os persas de Dayereh . Instrumentos de marco redondo eram conhecidos no Crescente Fértil há mais de 7 mil anos.
🌍 Çatalhöyük, ONDE NASCEU?
O pandeiro não pertence a um único país — é herança de muitos povos:
- Oriente Médio e Norte da África: berço ancestral — onde surgiram o Daf, o Riq e o Bendir
- Península Ibérica (Portugal e Espanha): trouxeram para cá suas versões — Adufe, Pandeireta, Pandero
- Brasil: trazido pelos portugueses, foi registrado oficialmente em 1549, na primeira Procissão de Corpus Christi realizada na Bahia. Aqui ele ganhou forma, pele, afinação e técnica próprias — tornou-se o Pandeiro Brasileiro, reconhecido mundialmente.
🧑🤝🧑 Çatalhöyük, A FAMÍLIA ESPALHADA PELO MUNDO
Instrumentos da mesma família — tambores de mão, com ou sem pratinhos:
Instrumento / País
🪘 Adufe/ Portugal
🪘 Daf / Dayereh / Riq/ Oriente Médio
🪘 Bendir/ Norte da África
🪘 Kanjira/ Índia
🪘 Bodhrán/ Irlanda
🪘 Buben /Leste Europeu / Rússia
🪘 Pandereta / Pandero/ Espanha
🪘 Pandeiro/ Brasil
📸 REGISTROS FOTOGRÁFICOS
**A Música da Primavera: o Tof**
O **Tof** é o nome hebraico deste primeiro exemplo de um pequeno tambor moderno, que também é chamado de **tímbrel** ou **adufe** nas Escrituras. Ele é semelhante a um pandeiro, mas sem as pequenas peças metálicas que ficam ao redor da borda. Esses instrumentos apresentam diferentes formas e tamanhos, mas os menores eram usados principalmente pelas mulheres em celebrações.
Por exemplo, **Miriam** conduziu as mulheres de Israel em um cântico de vitória sobre os egípcios (Êxodo 15:20-21). Mais tarde, as mulheres receberam o rei **Saul** e **Davi** com o tof e com cânticos, depois da morte de **Golias** e da derrota dos filisteus (1 Samuel 18:6-7).
Os ** tofs do M&G ** não são antigos, mas são peças velhas. Mencionados **18 vezes nas Escrituras**, esses pequenos instrumentos de percussão eram feitos esticando-se uma pele de animal sobre um aro estreito de madeira ou metal.
O músico segurava o tambor com uma das mãos e tocava com a outra, utilizando tanto os dedos quanto a parte de trás da mão.
Foto: Do Toph foi do Instagran do museum_and_gallery
A história do adufe e a sua importância cultural
Falar do adufe é entrar numa história longa e misteriosa. Várias fontes apontam para a relação deste instrumento com a família dos tambores de moldura da Península Ibérica e do Mediterrâneo, e há referências que associam a sua introdução no espaço ibérico à presença árabe entre os séculos VIII e XII, embora não haja uma conclusão definida sobre as suas origens.
Hoje, o adufe pertence de forma muito clara ao património musical português, embora também faça parte da herança cultural espanhola e encontre parentes próximos noutras geografias fazendo parte do mapa musical e cultural mediterrânicos.
Em Portugal, a sua associação mais forte surge na Beira Baixa, com destaque para zonas como Monsanto e Idanha-a-Nova, onde grupos de mulheres chamadas de adufeiras mantiveram repertórios e técnicas ao longo do tempo. Essa linhagem feminina é um dos traços mais marcantes da identidade do adufe em Portugal.
Foto: Do Adufe foi do blog: salaomusical.com, do Salão Musical de Lisboa.
Existe uma polêmica em torno do Riqq (mriq, riq, rik) e do Daff (defi, daire).
Alguns músicos afirmam que Daff é apenas a nomenclatura do Riqq recebida no Líbano. Outros, dizem que o Riqq é um instrumento que descende do Daff usado no Egito Antigo, surgindo apenas no século XIX.
Obstáculos à parte, ambos são instrumentos de percussão semelhantes ao que conhecemos como pandeiro e tambor. Diferentes do bendir, possui pratos metálicos dispostos simetricamente em pares nas cinco janelas em torno do corpo. Este, por sua vez, tem 10 cm de diâmetro, é feito de osso, chifres, pedaços de madeira ou madre-pérola que formam lindos mosaicos coloridos. Já a membrana pode ser de couro ou sintética, tal como a do derbake.
São usados em músicas clássicas ou folclóricas no Egito, Iraque, Líbano, Líbia, Palestina, Síria e Sudão. É posicionado na vertical ou horizontal. O importante, e mais comum, é tocá-lo com a mão direita, no centro da membrana, enquanto a esquerda dá o apoio. Pertence ao grupo chamado Takht e é usado para acompanhar o ritmo, ou seja, preenche espaços deixados por outros instrumentos.
Foto: do Rik (Riq) foi do site da loja [djoliba.com]
A história conta que certa vez uma mulher estava segurando a peneira de farinha e começou a bater nela. Mais tarde vieram os movimentos circulares como se ela estivesse peneirando a farinha. Depois vieram os anéis e o resto é história.
A história do DAF
O Daf Persa, ou como é conhecido, o Erbane tem sido um instrumento de mistério. Embora seja um tambor bastante simples, a variedade de sons diferentes que ele pode produzir é surpreendente. Com este tambor vocês dois batem nele com as mãos, mas também giram, fazendo com que os anéis de metal arranquem a pele
Diferentes cabeças Daf
Tradicionalmente, o Daf é feito com pele natural, mas com o passar dos tempos modernos, os materiais sintéticos se tornaram mais populares. A vantagem é bastante clara. Manutenção, ajuste e estabilidade são fatores chave. Essas cabeças sintéticas simplesmente duram para sempre. Dito isto, você ainda pode encontrar dafs de pele de cabra, e estes vêm com um sistema de ajuste interno.
A foto, assim como o texto do Daff foi extraido do site: [pt.ethnicmusical.com].
Bendir é um membranofone com origem no Norte de África, mais propriamente em Marrocos. Consiste num pandeiro de 35 cm com cordas esticadas no interior junto à pele produzindo um zumbido ao percutir. Versão AG Percusión, Pandeiros do Mundo.
A foto do Bendir foi do Site [https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bendir.jpg]
Kanjira
Instrumento de percussão
Outros nomes: Ganjira
Classificação: tambor de aro
Classificação Hornbostel–Sachs: 211.311 — membranofone tocado diretamente.
A kanjira, também chamada de khanjira, khanjiri ou ganjira, é um tambor de aro do sul da Índia, pertencente à família dos pandeiros. Como instrumento folclórico e de acompanhamento de bhajans (cânticos devocionais), é utilizada no subcontinente indiano há muitos séculos.
O surgimento da kanjira na música carnática do sul da Índia, assim como o desenvolvimento da forma moderna do instrumento, é atribuído a Manpoondia Pillai.
Na década de 1880, Manpoondia Pillai trabalhava como carregador de uma lanterna em um templo e procurava estudar percussão. Ele modificou a kanjira, transformando-a em um tambor de aro com um único par de pequenas peças metálicas sonoras (platinelas), e levou o instrumento para os palcos da música clássica.
Atualmente, a kanjira é utilizada principalmente em concertos de música carnática (música clássica do sul da Índia), como instrumento de acompanhamento do mridangam, um dos principais instrumentos de percussão da música carnática.
A foto do Kanjira foi do site [https://en.wikipedia.org/].
O bodhrán é um instrumento musical de percussão irlandês que assemelha-se a um tamborim. O couro é preso em um dos lados do instrumento. O outro lado é aberto para que uma mão do músico seja posicionada contra o lado coberto a fim de controlar a altura e timbre do som.
História
O bodhrán foi usado durante a rebelião irlandesa de 1603 pelo exército irlandês como uma bateria de guerra. Ele era usado para organizar os soldados, e para anunciar a chegada militar. Uma adição relativamente nova à música celta, o bodhrán substituiu o papel do tamborim.
O instrumento é similar a tambores distribuídos pelo norte da África e no Oriente Médio. Da mesma forma, alguns instrumentos de percussão de povos ameríndios também são bastante parecidos com o bodhrán.
Não existem referências conhecidas para desse nome especificamente antes do século XVII. O instrumento por si próprio não ganhou reconhecimento na música folclórica irlandesa até a década de 1950, quando tornou-se famoso com o trabalho de bandas como The Clancy Brothers. Uma banda atual que fez uso do bodhrán é a irlandesa The Corrs em seu álbum acústico The Corrs Unplugged.
Apesar de mais comum somente na Irlanda, o bodhrán ganhou popularidade através da música celta, especialmente na Escócia.
A foto do bodhrán foi do site [https://pt.wikipedia.org/].
# Uma breve visão sobre a história do instrumento Buben
O Buben **tambor de aro** (ou **pandeiro**) é um instrumento musical de percussão constituído por uma armação de madeira e uma pele — uma membrana de couro ou de outro material esticada sobre essa armação. O som do instrumento é produzido pela vibração da membrana quando ela é golpeada pela mão do músico ou por uma baqueta especial.
O diâmetro de um tambor de aro geralmente é maior do que a profundidade de sua estrutura. Na armação podem existir pequenas peças metálicas sonoras, chamadas **platinelas** ou *zills*. Também podem existir, na parte interna da armação (na parte posterior), pequenas peças metálicas presas a fios dispostos em forma de cruz. Entretanto, existem também tambores de aro que não possuem essas peças metálicas.
Os músicos itinerantes do **século XIV** contribuíram para espalhar o tambor de aro por toda a Europa. Na Europa Ocidental do **século XIX**, ele já era uma parte integrante da prática musical dos músicos camponeses e das tradições populares.
O estudioso e pesquisador inglês de instrumentos de percussão **James Blades**, em seu livro *Percussion Instruments and their History* (*Instrumentos de Percussão e sua História*), afirma que: >
“A popularidade do Buben (pandeiro) foi mantida durante toda a Idade Média em todas as partes da Europa. O uso do tambor de aro — um tambor com uma única pele sobre uma armação rasa — é amplamente difundido tanto em termos de tempo quanto de localização, apresentando também diferentes características em seus detalhes, desde os tambores dos xamãs até o grande bumbo moderno de orquestra, com uma única pele. O tipo mais comum durante a Idade Média era muito semelhante ao pandeiro que conhecemos atualmente e ainda mais próximo dos instrumentos turcos do século XIX, encontrados em numerosos museus.”
A etnógrafa **Īrisa Priedīte** situa a introdução do tambor de aro na prática musical do território da **Letônia** em um período relativamente recente. Segundo sua opinião, isso teria ocorrido entre o **final do século XVIII e o início do século XIX**.
A Foto do Buben foi pelo site [https://en.wikipedia.org/wiki/Bubon] a fonte de pesquisa para o texto foi o site [https://www.skaniarmani.lv/bubyna-vēsture?lang=en] a tradução foi pelo "Chat GPT"
# História da Pandereta (Pandero).
A **pandereta** é utilizado desde a Antiguidade, especialmente no **mundo de língua basca**, onde as danças acompanhadas por esse instrumento continuam sendo praticadas até os dias atuais. Em algumas regiões de outros países, o instrumento é conhecido como *tambour de basque*.
Os registros mais antigos conhecidos sobre o uso do pandero na **Espanha** datam do **século XVI**.
Segundo **Padre Donostia (1952)**, um relato do século XVI descreve como o rei **Carlos IX**, durante uma visita a **Saint-Jean-de-Luz**, apreciava assistir às jovens dançando. Cada uma delas carregava uma espécie de peneira equipada com pequenos guizos de sino, imitando pequenos tambores.
Outro relato, do **século XVII**, conta que, quando **Madame d'Aulnoy** chegou a **Pasaia**, uma barqueira foi recebê-la acompanhada por cinquenta companheiras. Cada uma carregava um remo sobre o ombro e, à frente da procissão, três mulheres tocavam a **pandereta** com grande habilidade.
Um artigo de **Jesús Ramos (1990)** registra que uma lista dos músicos que participaram das festividades de **Pamplona**, no **século XVIII**, mencionava nove tocadores de pandero. Oito deles tocavam sozinhos e um acompanhava um violão.
Entre esses músicos, seis eram de **Pamplona**, dois de **Aoiz** e um de **Laguardia**.
Já no **século XIX**, o livro *Viaje por España* (*Viagem pela Espanha*), publicado em **1862** pelo barão **Charles Davillier**, registrou que os bascos dançavam ao som do pandero acompanhado pela **gaita**, pelo **tabor** e pela **flauta**, de maneira semelhante ao que acontecia entre os **asturianos e galegos**.
Padre Donostia também registrou, em **1916**, que durante a festa conhecida como **Erregiñetan** (Festa das Maias), os participantes cantavam acompanhados pelo ritmo do pandero.
🪘 Um instrumento ligado à dança e à tradição
Ao longo dos séculos, o pandero esteve profundamente ligado às **festas, às danças e às manifestações populares** do povo basco e de outras regiões da Península Ibérica.
Os relatos históricos mostram que o instrumento não era utilizado apenas como acompanhamento musical, mas também como elemento presente nas celebrações comunitárias, nas procissões e nas manifestações tradicionais.
Sua história revela como um simples tambor de aro, acompanhado ou não de pequenos guizos, conseguiu permanecer vivo através das gerações, mantendo uma ligação direta entre **música, dança e cultura popular**.
A foto do Pandereta foi do site [https://en.wikipedia.org/wiki/Pandero].
FOTO AQUI:[ESPERANDO APOIO DE ALGUMA MARCA] Pandeiro Brasileiro
🪘 Quando o pandeiro chegou ao Brasil?
A hipótese mais antiga encontrada em fontes brasileiras coloca a presença do pandeiro já no século XVI, provavelmente através dos jesuítas, no contexto colonial. O projeto Música Brasilis registra essa possibilidade e menciona seu uso no Rio de Janeiro; outra fonte também associa o instrumento às procissões religiosas do período colonial.
Porém, uma fonte recente da Câmara dos Deputados, ao tratar especificamente da história do instrumento, afirma que o pandeiro chegou ao Brasil no século XIX.
Por isso, para uma postagem histórica, eu não afirmaria simplesmente “o pandeiro chegou ao Brasil no século XIX”. É mais seguro dizer que há evidências e referências que apontam para sua presença no Brasil desde o período colonial, enquanto a consolidação do pandeiro como instrumento característico da música brasileira ocorreu posteriormente.
📜 E qual é o primeiro registro?
Um registro iconográfico de 1640, feito pelo holandês Johan Nieuhof, mostra uma mulher escravizada segurando um pandeiro. Essa gravura é apontada como o primeiro registro imagético conhecido da presença do instrumento no Brasil.
Isso é muito importante porque coloca o pandeiro no Brasil pelo menos em 1640, de forma documentada visualmente.
Além disso, há referências ao instrumento nas congadas do século XVIII, ligadas às festas de coroação de reis e rainhas do Congo e às Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
E existe ainda uma questão histórica muito bonita para aprofundarmos: a relação do pandeiro com os africanos escravizados, a capoeira, as congadas, as Folias de Reis e o desenvolvimento do samba. Essa parte ajudaria bastante a explicar como um antigo tambor de aro se transformou em um dos instrumentos mais característicos da música brasileira.
🎯 SOBRE ESTE LEVANTAMENTO
Este texto é uma contribuição à comunidade de percussionistas e pesquisadores. Conhecer a raiz do instrumento é reconhecer a herança de povos que, ao longo de milênios, bateram as mãos sobre a pele para celebrar a vida, marcar o ritmo e contar sua história.
Que este conhecimento fortaleça nossa arte! 🥁✨
Descrição da pesquisa: Levantamento histórico e geográfico sobre o pandeiro, seus primeiros registros na antiguidade, presença em diferentes culturas e países, e relação com instrumentos congêneres do mundo. Conteúdo educativo voltado à comunidade de percussionistas.
"Prodizido através de pesquisa em internet e as IA's Chat GPT e Dola."
"Sobre o pandeiro brasileiro tem artigos para outra postagem logo teremos mais sobre pandeiros e sobre outros instrumentos de percussão também..."










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